O pesadelo da organização total na contramão da autonomia curricular do professor.
Metadatos
Mostrar el registro completo del ítemEditorial
Universidade do Porto (FPCEUP)-Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação.
Fecha
2024-11Referencia bibliográfica
Damiao, Mª H; Palma, A.; Delgado, C. (2024). O pesadelo da organização total na contramão da autonomia curricular do professor. En AAVV, Livro de resumos. XVII Congresso da sociedade portuguesa da Ciencias da Educaçao.Educaçao, Liberdade, Democracia (pp. 34/228-35/228). Universidade do Porto
Patrocinador
Grupo de Investigación UNES, UGR y CEIS20, Universidad de CoimbraResumen
Sob influência da teoria behaviorista foi instituída uma figura que ficou conhecida por “currícu- lo-à-prova-de-professor”: pressupondo-se que muitos professores seriam incapazes de planifi- car e lecionar de forma eficaz, deveriam ser-lhes facultados todos os materiais pedagógico-di- dáticos que lhes permitissem desenvolver, de forma uniforme, o currículo oficial. Acontece que a investigação cognitivista evidenciou uma assinalável incoerência entre essa proposta e aquilo que a docência exige: decisões contínuas em função da especificidade das circunstâncias. Apu- rou, por exemplo, que os professores experientes escolhem um rumo – “rotina” – para cada aula que lhes permite, na interação, acompanhar a evolução da aprendizagem. Esperar-se-ia que este resultado levasse ao reconhecimento da sua autonomia no campo de ação pelo qual são responsáveis. Não foi o que aconteceu: entidades privadas nacionais e transnacionais – editoras de manuais e várias outras empresas e fundações – passaram a operacionalizar o currículo ofici- al e a “oferecê-lo” aos professores, dispensando-os dessa tarefa. Isto com progressivo acolhi- mento, reconhecimento e colaboração dos Estados, das escolas e, mesmo, dos professores. Under the influence of behaviourist theory, what became known as the ‘teacher-proof curriculum’ was established: on the assumption that many teachers would be incapable of planning and teaching effectively, they should be provided with all the pedagogical and practical materials that would allow them to develop the official curriculum in a uniform way. However, cognitivist research has revealed a notable inconsistency between this proposal and what teaching requires: continuous decisions according to the specific circumstances. It found, for example, that experienced teachers choose a course of action - a ‘routine’ - for each lesson that allows them, in interaction, to monitor the progress of learning. It was hoped that this result would lead to recognition of their autonomy in the field of action for which they are responsible. This is not what happened: national and transnational private entities - textbook publishers and various other companies and foundations - began to operationalise the official curriculum and ‘offer’ it to teachers, relieving them of this task. This was progressively welcomed, recognised and collaborated with by states, schools and even teachers.