Liberdade de expressão, direito à informação e redes sociais: regulação constitucionalmente adequada sobre a moderação de conteúdo na construção de um espaço virtual democrático e plural
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Ferreira Fredes, AndreiEditorial
Universidad de Granada
Departamento
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Programa de Doutorado em Direito; Universidad de Granada. Programa de Doctorado en Ciencias JurídicasMateria
Liberdade de Expressão Desinformação Redes sociais Moderação de conteúdo Direitos fundamentais Libertad de expresión Desinformación Redes sociales Moderación de contenidos Derechos fundamentales Freedom of speech Misinformation Social networks Content moderation Fundamental rights
Fecha
2022Fecha lectura
2022-04-22Referencia bibliográfica
Ferreira Fredes, Andrei. Liberdade de expressão, direito à informação e redes sociais: regulação constitucionalmente adequada sobre a moderação de conteúdo na construção de um espaço virtual democrático e plural. Granada: Universidad de Granada, 2022. [http://hdl.handle.net/10481/75946]
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Tesis Univ. Granada.Resumen
Poucas temáticas representam um problema capaz de ensejar uma pesquisa acadêmica ou uma
conversa informal em qualquer lugar do globo; uma delas, sem dúvida, é o problema da
desinformação. Passados quase seis anos que o termo “fake news" foi considerado “palavra do
ano”, ele continua, em qualquer nível de discussão, extremamente atual. Seja no âmbito
político-eleitoral ou na gestão de políticas públicas, como nas de enfrentamento à pandemia ou
de políticas para imigrantes e refugiados, as notícias falsas continuam sendo peça central de
instabilidade política, inércia governamental e abalo democrático. Não surpreende que muito já
tenha sido discutido sobre como combater a desinformação e regular as companhias
tecnológicas e seu modelo de negócios que lucra com a propagação de notícias falsas e
polarização social, por isso, muitos foram os congressos, seminários, artigos e livros que
buscaram dar algum sentido ao problema, além de projetos de lei e de outros mecanismos
regulatórios propostos com o objetivo responder aos riscos da tecnologia utilizada para
manipulação e desestabilização democrática. Entretanto, ainda não foi encontrada unidade de
pensamento sobre como enfrentar o problema, sendo possível verificar uma miríade de
propostas nos mais diversos sentidos, tanto do ponto de vista teórico quanto normativo. Após
colocar o problema no capítulo primeiro, e a partir dessas constatações, a presente tese
estabelece a Constituição Federal como ponto central para a tomada de posição sobre a
regulação das redes sociais, retomando as fundações estabelecidas pelo constitucionalismo
como único caminho possível de oferecer respostas capazes de se sustentar em um regime
democrático. Assim, quando se enfrenta o problema de uma regulação constitucionalmente
adequada das companhias tecnológicas na moderação de conteúdo, tendo em vista o problema
central da desinformação, significa propor mecanismos regulatórios que estejam dentro dos
limites constitucionais. Os capítulos segundo e terceiro se encarregam de apresentar esses
limites, que impõem, de um lado, um dever de abstenção do Estado, ao impor obstáculos que
não se pode legitimamente transpor; de outro, um dever de ação, impelindo o Estado a agir, não
admitindo a inércia frente às campanhas de desinformação. Dessa forma, a conclusão da
primeira parte é que a Constituição deve irradiar-se sobre a regulação das companhias
tecnológicas, não sendo admissível, em um Estado Democrático de Direito, pensar em
propostas regulatórias que, mesmo bem-intencionadas, desbordem dos limites constitucionais.
No segundo momento, em busca de mecanismos que possam compor o framework regulatório
e adequar a atuação das companhias tecnológicas, encara-se os precedentes internacionais que
atualmente regulam ou se propõem a regular a atuação das mídias sociais na moderação de
conteúdo. Assim, colocam-se as disposições que atualmente regulam a matéria, tanto em âmbito
nacional quanto internacional; e, ainda, as atuais propostas que buscam alterar esses
mecanismos, especialmente no cenário comunitário europeu. A concluir, o capítulo sexto busca
expor a síntese do que se desenvolveu ao longo da obra, considerando que as redes sociais
atualmente são os espaços de primazia para exercício das liberdades comunicativas, veda-se a
possibilidade de quaisquer mecanismos que importem em censura prévia, e define-se o dever
de estabelecimento de um marco regulatório amplo e interconectado, agnóstico em relação ao
conteúdo das manifestações individuais, com o objetivo de condicionar a estrutura das redes,
afetando a arquitetura e funcionamento das plataformas sociais, a fim de alcançar os objetivos
constitucionalmente estabelecidos de construção de uma sociedade plural e democrática. Ao
especificar as possibilidades regulatórias, sugere-se cinco pilares: a busca pela autenticidade
dos espaços virtuais, a igualdade e garantias processuais dos usuários, a autodeterminação no
uso das redes, a transparência das companhias tecnológicas e a educação digital. Pocos temas representan un problema capaz de dar oportunidad a la investigación académica o
la conversación informal en cualquier parte del mundo; uno de ellos, sin duda, es el problema
de la desinformación. Después de casi seis años que el término "noticas falsas" fue considerado
"palabra del año", continúa, en cualquier nivel de discusión, extremadamente actual. Ya sea en
el ámbito político-electoral o en la gestión de políticas públicas, como las de hacer frente a la
pandemia o las políticas para inmigrantes y refugiados, las noticias falsas siguen siendo la pieza
central de la inestabilidad política, la inercia gubernamental y la sacudida democrática. No en
vano, ya se ha hablado mucho sobre cómo combatir la desinformación y regular a las empresas
tecnológicas y su modelo de negocio que se beneficia de la difusión de noticias falsas y la
polarización social, por lo que muchos fueron congresos, seminarios, artículos y libros que
buscaban dar algún sentido al problema, además de proyectos de ley y otros mecanismos
regulatorios propuestos con el objetivo de responder a los riesgos de la tecnología utilizada para
la manipulación y desestabilización democrática. Sin embargo, aún no se ha encontrado unidad
de pensamiento sobre cómo enfrentar el problema, y es posible verificar un sinfín de propuestas
en los más diversos sentidos, tanto desde el punto de vista teórico como normativo. Tras situar
el problema en el primer capítulo esta tesis establece la Constitución Federal como un punto
central para tomar posición sobre la regulación de las redes sociales, retomando los
fundamentos establecidos por el constitucionalismo como única vía posible de ofrecer
respuestas capaces de sostenerse en un régimen democrático. Así, ante el problema de la
regulación constitucionalmente adecuada de las empresas tecnológicas en la moderación de
contenidos, ante el problema central de la desinformación, esto significa proponer mecanismos
regulatorios que se encuentren dentro de los límites constitucionales. Los capítulos segundo y
tercero son los encargados de presentar esos límites, que imponen, por un lado, el deber de
abstenerse del Estado imponiendo obstáculos que no pueden ser legítimamente superados; por
otro, un deber de acción, impulsando al Estado a actuar, no admitiendo inercia ante las
campañas de desinformación. Así, la conclusión de la primera parte es que la Constitución debe
irradiar sobre la regulación de las empresas tecnológicas, y no es permisible, en un Estado
democrático de Derecho, pensar en propuestas regulatorias que, incluso bien intencionadas,
estén fuera de los límites constitucionales. En el segundo momento, en busca de mecanismos
que puedan conformar el marco regulatorio con el fin de adaptar el desempeño de las empresas
tecnológicas, nos enfrentamos a los precedentes internacionales que actualmente regulan o
proponen regular el desempeño de las redes sociales en la moderación de contenidos. Así, se
establecen las disposiciones que actualmente regulan la materia, tanto a nivel nacional como
internacional; y, además, las propuestas actuales que buscan cambiar estos mecanismos,
especialmente en el escenario de la Comunidad Europea. En conclusión, el capítulo 6 busca
exponer la síntesis de lo desarrollado a lo largo de la obra, considerando que las redes sociales
hoy son los espacios de primacía para el ejercicio de las libertades comunicativas, no siendo
posible cualquier mecanismo que importe en la censura previa, y define el deber de establecer
un marco regulatorio amplio e interconectado, agnóstico en relación con el contenido de las
manifestaciones individuales, con el objetivo de condicionar la estructura de las redes,
afectando la arquitectura y el funcionamiento de las plataformas sociales, con el fin de lograr
los objetivos constitucionalmente establecidos de construir una sociedad plural y democrática.
A la hora de concretar las posibilidades regulatorias, se sugieren cinco pilares: la búsqueda de
la autenticidad de los espacios virtuales, la igualdad y garantías procesales de los usuarios, la
autodeterminación en el uso de las redes, la transparencia de las empresas tecnológicas y la
educación digital. Few themes represent a problem capable of allowing for academic research or informal
conversation anywhere in the globe; one of them, no doubt, is the problem of misinformation.
After almost six years that the term "fake news" was considered "word of the year", it continues,
at any level of discussion, extremely current. Whether in the political-electoral sphere or in the
management of public policies, such as those of dealing with the pandemic or policies for
immigrants and refugees, fake news continues to be the centerpiece of political instability,
government inertia and democratic unsettling. Not surprisingly, much has already been
discussed about how to combat disinformation and regulate technology companies and their
business model that profits from the spread of fake news and social polarization, so many were
congresses, seminars, articles and books that sought to make some sense of the problem, in
addition to bills and other regulatory mechanisms proposed with the aim of responding to the
risks of technology used for manipulation and democratic destabilization. However, no unity
of thought has yet been found on how to face the problem, and it is possible to verify a myriad
of proposals in the most diverse senses, both from the theoretical and normative point of view.
After placing the problem in the first chapter, and from these findings, this thesis establishes
the Federal Constitution as a central point for taking a position on the regulation of social
networks, resuming the foundations established by constitutionalism as the only possible way
to offer answers capable of sustaining itself in a democratic regime. Thus, when facing the
problem of constitutionally adequate regulation of technology companies in content
moderation, in view of the central problem of disinformation, this means proposing regulatory
mechanisms that are within constitutional limits. The second and third chapters are responsible for
presenting those limits, which impose, on the one hand, a duty to refrain, by the State, of imposing
obstacles which cannot be held on constitutional grounds; on the other hand, a duty of action, impelling
the State to act, not admitting inertia in the face of disinformation campaigns. Thus, the conclusion of
the first part is that the Constitution must radiate on the regulation of technological companies, and it
is not permissible, in a Democratic State of Law, to think about regulatory proposals that, even when
well-intentioned, are out of constitutional boundaries. In the second moment, in search of mechanisms
that can make up the regulatory framework in order to adapt the performance of technology companies,
we face the international precedents that currently regulate or propose to regulate the performance of
social media in content moderation. Thus, the provisions currently regulating the matter are laid down,
both nationally and internationally; and, furthermore, the current proposals that seek to change these
mechanisms, especially in the European Community scenario. In conclusion, chapter 6 seeks to expose
the synthesis of what has developed throughout the work, considering that social networks today are
the most important spaces for the exercise of communicative freedoms, denying the possibility of
any mechanisms that import in prior censorship, and defines the duty of establishing a broad and
interconnected regulatory framework, agnostic in relation to the content of individual manifestations,
with the objective of conditioning the structure of networks, affecting the architecture and functioning
of social platforms, in order to achieve the constitutionally established objectives of building a plural
and democratic society. When specifying regulatory possibilities, five pillars are suggested: the search
for the authenticity of virtual spaces, the equality and procedural guarantees of users, selfdetermination
in the use of networks, the transparency of technology companies and digital education.