@misc{10481/89245, year = {2019}, url = {https://hdl.handle.net/10481/89245}, abstract = {Num presente em que a sociedade da memória (Enzo Traverso) subsumiu, de algum modo, o potencial emancipatório com o qual o teólogo JB Metz desejava dotar a memória -convertendo-a no "conceito mais indispensável de uma filosofia" como primazia de um devir prático da razão-, o conceito se tornou um exercício legislativo frustrado. Assim, a cultura da memória a partir da qual ele pretendia medir todos os eventos da história, sempre sob a lembrança inesquecível do desastre humano do Holocausto Judaico e outras catástrofes que ocorreram em torno da Segunda Guerra Mundial, no entanto, foram perdendo certa condição histórica. Isso acontece quando, contraditoriamente, esse anseio de memória se tornou uma história recorrente num presente trancado entre as incertezas do passado e o futuro que não o assegura como um discurso histórico. Nesse impasse, a memória penetrou, além das leituras nostálgicas e da recuperação entendida como um objeto cultural vintage, no mesmo processo de "democratização" desenvolvido por muitos estados que têm como protagonista de sua história conflitos civis baseados na violência política, e que eles vêm para ela, para a memória, convencidos da sua capacidade conciliatória e integradora. Assim é como a memória se tornou política estatal protegida pelos princípios fundamentais dos Direitos Humanos ou, o que é o mesmo, daquela força emancipatória que Metz apontou para um parecer político que dificilmente parece cumpri-la em sua execução, como é o caso da Lei da Memória Histórica (Lei 52/2007 de 26 de dezembro) espanhola. Entre esses parâmetros com os quais Metz tentou dar sentido à história, eles finalmente deram lugar às estratégias de consumo vigentes em nossa sociedade. E é a memória agora, mais do que nunca para seu benefício, definida por um topos propenso aos excessos da política neoliberal e à produção desproporcional de histórias comemorativas que, definitivamente, confundem sua natureza crítica com uma memória oficial e de estado frente aos fatos sobre a que é estabelecida. No entanto, em 2011, começa o Vencidxs, que, de forma autogerida, busca coletar os depoimentos dos últimos sobreviventes da Guerra Civil Espanhola e a subsequente repressão durante o regime de Franco, com o objetivo de não deixá-los cair no esquecimento. Muito mais do que um exercício de memória histórica, as entrevistas são a base deste projeto transmídia e multilíngue (que consiste em um documentário, um livro fotográfico e uma rede social na web) e, pela primeira vez, são os entrevistados anônimos, os que narram, contrastam e contrastam suas experiências com a história oficial dos eventos em torno do conflito civil, para participar de um gesto político ainda hoje necessário: ser referência para as gerações de jovens de hoje, aqueles que querem se conscientizar das lutas sociais onde as políticas institucionais sobre memória histórica não são eficazes. Este texto estuda como um projeto transmídia busca coletivizar a propriedade e o poder da narrativa na participação para a construção de uma memória histórica mais justa e democrática. Assim, longe de um projeto colaborativo ou interativo para fins comerciais, Vencidxs propõe um processo de ativismo social através da transmídia mais profunda, crítica e política, que promove, em primeiro lugar, os laços de união entre as pessoas envolvidas nela. Participar da Vencidxs é, portanto, conceber a narrativa como uma ação política focada em gerar histórias críticas e novos espaços para o entendimento comum sobre nossa própria história.}, abstract = {In a present in which the society of memory (Enzo Traverso) has somehow subsumed the emancipatory potential with which the theologian JB Metz wanted to endow memory - converting it into the "most indispensable concept of a philosophy" as the primacy of a practical becoming of reason - the concept has become a frustrated legislative exercise. Thus, the culture of memory from which he intended to measure all the events of history, always under the unforgettable memory of the human disaster of the Jewish Holocaust and other catastrophes that occurred around the Second World War, nevertheless lost a certain historical condition. This happens when, contradictorily, this longing for memory has become a recurring story in a present locked between the uncertainties of the past and a future that does not guarantee it as a historical discourse. In this impasse, memory has penetrated, beyond nostalgic readings and recovery understood as a vintage cultural object, into the same process of "democratisation" developed by many states that have civil conflicts based on political violence as the protagonist of their history, and that they come to it, to memory, convinced of its conciliatory and integrating capacity. This is how memory has become a state policy protected by the fundamental principles of Human Rights or, what is the same, that emancipatory force that Metz pointed out for a political opinion that hardly seems to fulfil it in its execution, as is the case with Spain's Historical Memory Law (Law 52/2007 of 26 December). Among these parameters with which Metz tried to give meaning to history, they finally gave way to the consumer strategies in force in our society. And it is memory that is now, more than ever to its benefit, defined by a topos prone to the excesses of neoliberal politics and the disproportionate production of commemorative histories that definitely confuse its critical nature with an official and state memory in the face of the facts it is established upon. However, in 2011, Vencidxs began, a self-managed organisation that sought to collect the testimonies of the last survivors of the Spanish Civil War and the subsequent repression during Franco's regime, with the aim of not letting them fall into oblivion. Much more than an exercise in historical memory, the interviews are the basis of this transmedia and multilingual project (which consists of a documentary, a photographic book and a social network on the web) and, for the first time, it is the anonymous interviewees, those who narrate, contrast and contrast their experiences with the official history of the events surrounding the civil conflict, to participate in a political gesture that is still necessary today: to be a reference for today's generations of young people, those who want to become aware of social struggles where institutional policies on historical memory are not effective. This text studies how a transmedia project seeks to collectivise the ownership and power of the narrative in order to participate in the construction of a fairer and more democratic historical memory. Thus, far from a collaborative or interactive project for commercial purposes, Vencidxs proposes a process of social activism through deeper, more critical and political transmedia, which promotes, first and foremost, the bonds of union between the people involved in it. To participate in Vencidxs is therefore to conceive of storytelling as a political action focused on generating critical stories and new spaces for common understanding of our own history.}, publisher = {Ria Editorial}, keywords = {Narrativas transmedia}, keywords = {Activismo social}, keywords = {Memoria democrática}, keywords = {Memoria histórica española}, title = {A narrativa transmídia como ação social para a construção de uma memória democrática}, author = {Alías Bergel, Antonio Jesús}, }